Talvez você esteja pensando “o que as vias aéreas tem a ver com a face, Dr. Eduardo?”
A depender do rosto e de um problema respiratório, isso pode repercutir no rosto do paciente. Por isso, é preciso harmonizar faces pensando na função, também.
É preciso pensar em conjunto: função e estética colaborando juntas para a satisfação do seu paciente. Afinal, quem não quer funcionar bem e estar bonito?
Como abordado em outra artigo, é preciso analisar os 4 pontos fundamentais do tratamento orto-cirúrgico. Um banco não consegue se apoiar em 3 apoios. São necessários 4 apoios.
Lembrando: * Dentes, *ATM’s, * Face e as * Vias Aéreas, que iremos abordar aqui.
Mas para falar sobre as vias aéreas, é preciso discorrer sobre os principais exames que lidam com essa região: Radiografias, tomografias e polissonografias.
Na nossa graduação, aprendemos a trabalhar com as Radiografias, que são nossos exames de primeira análise, a partir dela verificamos a necessidade de outros exames mais específicos, como a Tomografia.
Quando um paciente sofre dificuldades de sono: como apneia, ronco e outras, é necessário solicitar a Polissonografia.
O ideal é que o paciente saudável deite a noite e acorde somente no outro dia, de manhã. Mas alguns fatores podem interromper esse curso.
Os fatores podem ser categorizados em dois:
- Central
- Periférico
No caso de fatores centrais, nós não podemos fazer muito, pois envolvem o sistema nervoso.
Mas, se forem periféricos, principalmente a nível maxilar, podemos ajudar esse paciente com tratamentos ortodônticos ou uma cirurgia ortognática.
Ou seja, um problema de via aérea pode influenciar o sono do paciente.
O trajeto natural do ar nas vias aéreas é iniciado no nariz, depois passa na orofaringe, vai para traqueia e depois chega ao pulmão.
O ideal é que o espaço orofaríngeo tenha de 11mm com variação de + ou – 2mm.
Alguns pacientes possuem uma maxila retraída, o que ocasiona um espaço menor para a passagem de ar, que pode provocar apneia, roncos e engasgos.
Outra coisa que deve ser observada é a inclinação do plano oclusal, a normal sendo de 4 a 8 graus, mais do que isso a passagem de ar é prejudicada.
Algumas tomografias podem registrar a passagem de ar, nas quais você pode apontar se esse paciente precisará de intervenções na maxila.
Um plano oclusal muito inclinado dificulta a passagem de ar, quanto mais reto for o plano oclusal, melhor é a respiração do paciente.
É possível fazer a varredura das vias aéreas. Em uma tomografia, é possível analisar a passagem de ar. Em espaços muito pequenos, o atrito entre as paredes das vias, podem causar apneias ou micro apneias.
Se a maxila estiver para trás, o palato mole estará também, com a correção dessa maxila com uma cirurgia ortognática, o espaço da passagem de ar pode ser aumentado, porque com a mandíbula sendo avançada, o palato mole também irá.
O paciente não respira mal quando está somente dormindo, mas há outros sintomas, além do sono de baixa qualidade.
Além de acordar cansado, ele sente vontade de repor esse descanso no dia. Sua atenção e paciência também são curtas, porque não respira bem.
Também tem o fôlego curto na prática de esportes e exercícios físicos. Quem respira melhor, vive melhor. Para corrigir esse problema de forma definitiva, pode ser feita a cirurgia ortognática ou com aparelhos de protração – quando o que atrapalha a passagem de ar é a língua -.
Mesmo sendo um problema periférico de vias aéreas, a ortognática nem sempre será a única solução.
Às vezes, o problema na passagem de ar não está no espaço orofaríngeo, então o avanço da maxila não vai ser capaz de melhorar a respiração.
Isso acontece quando o problema está no palato mole, e faringe ou amígdalas. Às vezes a melhor opção pode ser a remoção das amígdalas que estão obstruindo a passagem de ar, responsabilidade dos otorrinos que seguem a linha da remoção.
Também temos a uvulopalatoplastia, na qual a remoção do excesso de úvula e palato mole pode melhorar a passagem de ar.
Por vezes, uma base da língua grande pode também obstruir a passagem do ar. Então, nem sempre a maxila é culpada pela passagem de ar limitada.
- Torus Mandibular – crescimento exagerado do osso
- Estreitamento da arcada – a língua é jogada para trás e fecha o espaço orofaríngeo.
A odontologia NÃO resolve tudo. Temos também, ainda na perspectiva de vias aéreas, a influência das narinas e do septo nasal.
É possível, porém, fazermos uma columeloplastia, que abre as narinas sem alargá-lo, pois é internamente.
Por isso é necessário prestar atenção também nas narinas. Um desvio de septo pode também impedir a passagem de ar. Quem trata isso é o otorrinolaringologista.
Porém se o paciente tiver outros desvios necessários de correção na área mandibular, é possível levar em consideração esses problemas, ou fazer uma columeloplastia isolada.
Mas se o paciente somente quer tratar o septo e narinas, a odontologia não pode solucionar esse problema.
Nem todo problema de respiração está no sistema nervoso central. Ele pode também envolver todos esses aspectos periféricos.
Ok, é muita informação. Por onde posso começar?
Bom, eu também já tive essa dúvida muitas vezes. Me formei a 30 anos e ainda sim passo tempo aprendendo e estudando.
Então, se você ainda se sente em um difícil processo de constante aprendizado, persista! Estou aqui para ajudar! vamos entender mais sobre o Planejamento Facial então:
- Qual das duas pacientes tem um problema respiratório? A que tem o queixo para trás, com a mandíbula para trás, espaço orofaríngeo limitado e uma respiração problemática.
Primeiramente, vamos começar a planejar de acordo com os lábios: o paciente tem que ter um selamento labial passivo. Ou seja, o lábio superior precisa tocar o lábio inferior.
O paciente precisa fechar a boca sem corrugar o mento, ou seja, ter os lábios relaxados. Avalie o paciente de perfil, na posição sagital e observe sempre a posição da cabeça e do pescoço.
Geralmente um paciente que tem a maxila e a mandíbula para trás de onde ela normalmente deve estar (retrognata) passa a maior parte do tempo levemente inclinado e corcunda.
Por ficar corcunda, sente dores nas costas e procura soluções em fisioterapia, pilates e etc. mas na verdade ele devia procurar solucionar seu problema respiratório.
Entende como tudo se relaciona? Muitas vezes, essa falta de respiração vai além da sinusite ou rinite. Isso porque nós olhamos só os dentes, mas não olhamos o paciente como um todo.
Então invista em analisar o paciente como um todo.
Aproximar o lábio inferior do mento (pogônio) e o lábio superior do ponto subnasal. Lembrando que o lábio superior deve estar sempre a frente do lábio inferior.
Sobre a face:
- Orientação da cabeça e do pescoço
- Relação cêntrica
- Lábios relaxados
No entanto, precisamos entender que existem vários tipos de face, por isso precisamos considerar o osso, que deve estar bem posicionado.
Mas, existe uma medida que deve ser levada em consideração quando analisamos a conjuntura óssea? Sim.
O ideal é que o lábio superior fique a frente do ponto sub-nasal em 2mm, o lábio inferior fique em 0 e o pogônio mole de 0 a -2mm para mulheres e de 0 a 2mm para homens. Isso porque um queixo mais a “a frente” deixa a face masculina mais harmônica e a feminina, mais masculinizada.
A distância do mento ao pescoço precisa ser de no mínimo de 50mm. Quando avançamos na ortognática, esse espaço é aberto.
Não é o tamanho do nariz que indica se você respira bem, mas também a posição do mento.
Por isso quando os pacientes acham contraditório quando têm um nariz grande e respiram mal, na verdade pode ser que eles tenham um queixo pequeno.
