Nessa artigo eu reuni todo o conhecimento sobre Análise Facial que aprendi em 25 anos como cirurgião Bucomaxilofacial. E eu quero te ensinar hoje sobre isso para que você possa entregar um bom resultado: com estética e função.
Afinal, precisamos harmonizar faces com função. Hoje a estética e a função precisam caminhar lado a lado. Se seu trabalho está baseado somente em estética, você precisa repensar, a mesma coisa se seu trabalho está baseado somente na função. Estética e beleza são fundamentais nos dias de hoje e aliada a função dão forma a um resultado eficiente.
Lembrando que os 4 pilares do tratamento ortodôntico precisam estar alinhados – Dentes, Vias Aéreas, ATM e face. Hoje vamos dar enfoque à face.
Com a Análise Facial precisa da face você vai passar a perceber alguns problemas no seu paciente que antes passavam despercebidos.
Mas como começar a analisar a Face?
Primeiramente podemos pedir alguns exames que podemos pedir para analisar a face – São esses:
- Radiografias;
- Tomografias;
- Fotos;
- Vídeos;
- Análise Facial propriamente dita.
E qual deles é o mais importante?
A Análise Facial. Porque no fim do procedimento, tudo o que o cliente vai querer saber é se a sua face ficou harmônica. Então, esse é o fator mais importante. Esse será o seu primeiro e grande passo para seu sucesso.
A primeira coisa a se fazer é achar o equilíbrio dos olhos. A partir de uma linha horizontal passando pela pupila. Na maioria dos pacientes, essa linha vai ser paralela ao solo. Mas porque não todos? Porque existem alguns pacientes que possuem desníveis na altura de um olho em relação a outro.
Assim como as orelhas e sobrancelhas, isso acontece porque somos assimétricos. Então, nós cirurgiões devemos buscar sempre a simetria, sabendo que ela não será completamente atingida sempre.
O segundo passo é traçar outra linha, dessa vez na vertical passando no centro da face, dividindo o lado direito com o esquerdo. Mas por que ? Para comparar o lado direito da face com o lado esquerdo da face. É preciso mostrar essa foto para o paciente, para que ele entenda que são diferentes. Por exemplo, se você for destro, sua perna e braço são mais volumosos.
A face é toda assimétrica. Por isso é importante dividir e comparar esses lados. Nós cirurgiões temos a capacidade de alterar o osso. Só que antes do osso temos músculos, camada de gordura e camada de pele. Então é importantíssimo falar isso para o cliente.
Por que se seu paciente sem a ortognática se olha 10 vezes no espelho todos os dias, depois dela ele olhará 100 vezes. Assim, ele perceberá todas as diferenças do antes x depois da cirurgia que teve o poder de mudar a vida dele.
As próximas linhas são para marcar os terços da face. A primeira delas será na inserção do couro cabeludo e as próximas na região da glabela. Esse é o terço superior da face.
Ela tem três terços – superior, médio e inferior.
No terço superior, não temos controle. Porque ali está a caixa craniana.
O segundo terço da face é o médio, da parte superior da glabela até a parte no fim do nariz. Ele também é inalterável porque nele estão os olhos e o nariz.
Já o terceiro terço vai da base do nariz até a parte inferior do mento. Esse sim, podemos alterá-lo, aumentando ou diminuindo, movimentando, dependendo da necessidade. É na maxila que operamos. Claro que a anatomia deve ser respeitada, nervos e artérias.
O ideal é que a medida dos três terços sejam iguais. Mas isso quase nunca acontece. Porém, aceita-se que o terço inferior da face seja de 10 a 15% maior que o terço médio.
Depois passa-se uma linha para definir o centro dos dentes, que muitas vezes não coincide com o centro da face. Isso pode ser corrigido com ortodontia, ou com a rotação da maxila na cirurgia.
Dividir a parte superior do lábio inferior e inferior do lábio superior. É a distância entre os dois lábios e deve ser 0. Ou seja, os lábios tem que estar selados. Um paciente com deformidades na maxila geralmente não possuem o selamento labial.
- Nivelamento da altura dos olhos – os olhos estão na mesma altura? isso é importante
- Olheiras – a paciente tem olheiras ou não? A maxila retruída pode causar uma retidão da maçã do rosto e olheiras.
- Desvio de nariz – Isso é muito comum. Mas até 4mm ele se torna imperceptível.
O paciente irá começar a reparar os mínimos detalhes do seu rosto e atribuirá isso à cirurgia ortognática.
- Largura do nariz – Traçar duas verticais no canto do olho. Se a asa ultrapassa a distância do canto do olho, é um nariz largo. Na ortognática fazemos a correção dessa largura também
- Centro do Lábio superior em relação a face – se está coincidente em repouso e sorriso. Por isso é importante filmar seu paciente e explicar para ele.
- Espaço Inter-labial – O paciente que não tem o selamento labial passivo pode tentar forçá-lo, forçando o mento e o lábio superior. Isso faz com que eles “estiquem” a face.
- Espessura labial – O lábio superior precisa ser mais fino que o interior. O lábio está à frente do dente, então a posição do dente influencia na posição do lábio. Por isso quando avançamos a maxila e a mandíbula, o paciente ganha mais lábio.
- Cantos da boca – Às vezes os cantos da boca podem ser assimétricos, ou seja, um está mais baixo que o outro. Isso é chamado de inclinação do plano Z. Isso pode ocasionar desvios no mento.
- Desvio do mento em relação a face – O mento pode estar no mesmo nível ou desviado para um lado ou outro. Muitas vezes, o centro do mento no osso não coincide com o centro do mento no tecido mole.
Tudo isso pode ser analisado por meio de fotos e vídeos. É muito importante fazer essa checagem no seu paciente.
- Diferença de espessuras de tecido mole – se o desvio do mento é para um lado, o outro será diferente. Isso é normal, na verdade, se um paciente exercita mais um lado do rosto, ele será mais volumoso – ex: mastiga muito de um lado, dorme só de um lado.
Uma foto do paciente com sorriso máximo pode evidenciar muito bem as assimetrias da face, principalmente no eixo Z.
O lado ideal desse sorriso assimétrico é o que expõe menos gengiva dos molares. Um corredor bucal não pode ser diferente do outro.
- Sorriso – Pode ser definido como alto, baixo, normal, simétrico ou assimétrico.
- Alto – mais de 2mm de gengiva, sorriso gengival
- anterior – gengiva dos incisivos a mostra
- posterior – gengiva dos molares a mostra
- Baixo – quando o paciente sorri, o sorriso cobre o dente, não mostrando-os
- Normal – 2mm de gengiva incisivos e 0mm molares
- Alto – mais de 2mm de gengiva, sorriso gengival
- Linha média da maxila – A união dos dois incisivos deve ser demarcada pela linha média da maxila
- Linha média da mandíbula –
- Corredor bucal
- Musculatura labial
- Desvio do mento em relação a face
- Eixo Z – Inclinação da boca – foto do paciente mordendo uma espátula – quanto maior a inclinação, maior o desvio
- Ortognática – maxila, mandíbula e mento
- Não vai ficar milimetricamente como planejado, isso é normal
- O cara que tá começando não sabe de tudo isso, o veterano não quer admitir que não sabe ou não lembra
Uma exposição dentária muito grande não é harmônica quando pensamos em um resultado de uma cirurgia ortognática.
Ideais no rosto de perfil:
- Rosto de perfil – Plano de Frankfurt paralelo ao solo
- Ponto A linha – coincidente com o plano subnasal
- Lábio superior – estar a frente do ponto subnasal 2mm
- Lábio Inferior – estar no mesmo nível do ponto subnasal
- Ângulo mentolabial –
- Overjet e overbite – inversão do lábio inferior com o vermelhão a mostra
- Mento-ponto subnasal – Homem no mesmo nível e mulher um pouco atrás
Nem todo excesso de tecido na face é gordura. Se o paciente é magro e tem papada, pode ser pele ou músculo. Isso acontece quando a mandíbula é recuada.
- Ângulo goníaco – Ângulo da mandíbula
- Ponta do nariz – pacientes com deficiência de maxila tem a ponta do nariz para baixo
- Ângulo naso-labial – O ideal é que esse ângulo tenha em torno de 6 a 5 graus
E como calcular tudo isso? Deve ser dificílimo. Precisa de ter um olho super calibrado.
Na verdade, é mais simples do que você imagina. Você precisa de apenas um celular e uma régua. É só tirar a foto com a régua próxima ao paciente, tirar a foto e ampliá-la na galeria do seu celular, para conferir os milímetros. É melhor que seja uma régua colorida para visualizar com mais facilidade.
Além da análise facial, precisamos fazer um planejamento facial. Então, junte os exames, faça a análise facial e não se esqueça do planejamento.
No planejamento, o crânio com todos os detalhes como dentes e mandíbulas do seu paciente, e também a pele, são digitalizados para uma visualização clara e específica. Com uma foto bem tirada e o entendimento do posicionamento ideal do paciente, o planejamento é muito eficaz.
É possível ter uma simulação que mostre como o paciente vai ficar?
Sim! é muito possível, hoje a cirurgia ortognática pode ser planejada digitalmente. E isso é uma vantagem para sua carreira e seu profissionalismo.
Estudar é diferente de colocar em prática.
